Ladrão de Raios (Rick Riordan)

ladrao-de-raios1Como dito anteriormente, a grande diferença entre se interessar ou não por um livro pode ser o quanto de apelo há em seu título. No caso desse em específico, chamado Ladrão de Raios, para mim o apelo foi inevitável. Quer dizer, bastou bater o olho nesse nome, em meio a tantas outras lombadas, para que meu interesse viesse arrebatador.

Seguindo o ritual, passei do título à capa, que só trouxe mais interesse em saber o que aquele menino fazia no meio da água segurando uma espada e olhando para Nova York enquanto um raio cortava os céus. Venhamos e convenhamos, a arte da capa é bonita.

Porém, como já dizia minha mãe, sua avó e a tia da sua prima, beleza não põe mesa. Era chegada a hora da verdadeira avaliação preliminar, a sinopse:

E se os deuses do Olimpo estivessem vivos em pleno século XXI? E se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis? Segundo a lenda da Antiguidade, a maior parte deles, marcados pelo destino, dificilmente passa da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.

Bastou isso e eu já estava pronta para os finalmentes com esse livro. Não que meus desejos e ânsias possam ser atendidos sempre de imediato, mas o livro entrou facilmente para a lista de: “vou comprar”. Como boa pobre que nunca tem dinheiro suficiente, tive de esperar até surgir uma promoção (Editora Intrínseca, te amo) para finalmente por minhas mãos gordurosas e bibliófilas sobre ele.

Resumindo um pouco melhor a história, o livro nos conta sobre Percy Jackson (inclusive, o nome da série é Percy Jackson & os Olimpianos), um menino de 12 anos que já foi expulso de mais de seis colégios diferentes, sofre de déficit de atenção e dislexia, por isso tira sempre notas medianas (chegando no máximo a C-). Não há nada de realmente excepcional nele, além de ser um problemático e ter uma mãe que mesmo assim nunca pega em seu pé. No entanto, sua vida dá uma guinada após ser atacado por sua professora de álgebra, que revelou ser na verdade uma besta mitológica com cabelo pixaim, parecida com a medusa (sic).

Após o incidente, Percy começa a desconfiar que há algo de errado (até porque, quem não desconfiaria?), mas é somente em uma viagem com a mãe para a praia que tudo muda para sempre. Finalmente ele entende porque a mãe sempre teve orgulho dele mesmo que ele só tire notas ruins e seja constantemente expulso de escolas, ou porque nunca conhecera o pai, ou ainda porque a mãe é casada com aquele terrível homem fedorento chamado Gabe. E principalmente, porque seu melhor amigo Grover manca levemente ao andar, mas corre rápido como um profissional.

Evitando spoilers, pois eu sei bem o quanto eles podem estragar uma leitura, para mim, o ponto alto do livro foi a explicação para os deuses do Olimpo estarem agora vivendo nos Estados Unidos, particularmente porque a desculpa não foi algo como: Somos os melhores, merecemos os deuses. O motivo é bem simples, e bem genial na minha opinião: os deuses vão para onde está a chama mais forte da cultura ocidental. Por isso eles não só vivem no EUA atualmente, como já estiveram na Inglaterra, na Alemanha, na França e aonde quer que tenha sido o centro da cultura ocidental. A prova disso seria que mesmo hoje em dia há resquícios da adoração aos deuses gregos (estátuas, quadros, estilo de arquitetura) espalhados pelos mais diversos cantos, acompanhando a história da humanidade.

O Olimpo, lar dos deuses, agora fica no Empire States nº 600 (imagina se o livro tivesse sido escrito antes dos ataques do 11 de setembro e o autor tivesse escolhido o World Trade Center…), assim como o mundo inferior, que sempre fica a oeste, é localizado em Los Angeles.

A leitura do livro é bem simples, talvez não seja uma escrita ainda tão madura ou tão apaixonante como outros escritores infanto-juvenis mais renomados, no entanto, é um livro fácil de ler e bem rápido, além de ter uma boa premissa e um enredo interessante.

Quanto a fidelidade com a mitologia, é bem razoável, embora eu realmente discorde de um ponto ou outro, mitologia não é algo muito exato, então dá-se certa liberdade poética para o autor. Como o fato dele no início retratar Hades quase como o Hades da Disney, mal, inimigo dos deuses e querendo dominar o mundo. Um grande erro, que, no entanto, é recompensado mais para o final.

De qualquer forma, é um livro que indico a todos, Percy é um menino carismático, os títulos dos capítulos são super criativos e a leitura fácil, rápida e indolor. Estou no aguardo de uma boa promoção para o segundo livro da série Mar de Monstros e outra para o recém lançado terceiro, A maldição do Titã. Pretendo resenhá-los assim que consegui-los. Diversão se não garantida, pelo menos provável. Afinal, é no segundo livro de uma série que descobrimos se foi só um surto genial ou se o autor tem mesmo talento sem se tornar repetitivo. Qual será o caso de Rick Riordan?

8 comentários para Ladrão de Raios (Rick Riordan)

  • Julie

    A primeira vez que vi esse livro achei que fosse ser “uma gracinha”, mais voltado pro público infantil, yadayadayada. Que engano! Ele me prendeu e no fim eu já não conseguia mais largar! Viciante e muito, muito legal. O Rick Riordan merece todo o crédito do mundo por ter criado um novo universo que não fosse mais uma cópia daquele padrão SdA, Hogwarts, Dragonlance, Brumas… E o universo dele é ótimo! Além do protagonista sem um poço de carisma, os personagem secundários serem apaixonantes e ele ter o maior cuidado com os backgrounds! Eu gostei de Mar de Monstros também, mas “Maldição do Titã” é simplesmente incrível. Terminei de ler a dois dias e ainda tô pensando no quanto eu amei. Não me empolgava assim com um livro desde… “Harry Potter e a Ordem da Fênix”. Calcule aí. E se alguém tiver o endereço de Rick Riordan me encaminhe, quero mandar uma cesta de café da manhã pra ele.

  • morg

    obrigada, foi essa resenha/indicação que primeiro me acendeu a chama da curiosidade quando soube de Percy Jackson. depois foi a @betynha no twitter. mas primeiro foi aqui. e sério… super me empolguei com o livro. <3

  • Didier

    Uau, suas resenhas são ótimas! Você conceguiu descrever o Ladrão de Raios muito bem, parabéns!!
    Concordo com a Julie, o Mar de Monstros é bom, mas o melhor mesmo é A Maldição Titã.
    Outra coisa, estava procurando uma resenha sobre O Herdeiro Guerreiro e foi por causa da sua que eu vou comprá-lo amanhã.
    Continue assim…

  • Conhecendo o blog agora, através da Morg que o indicou pelo blog dela. Perae, você é a Raps?

  • Gosh, fiquei com vontade de ler o.Ladrão de Raios. Se bem que a arte da capa não me influenciou tanto quanto o título, já que na grande maioria das vezes eu acho que a arte da capa não faz jus ao livro ^^’
    adorei o site :)

  • Renan Nascimento

    Primeiramente, parabéns. Esse espaço sobre livros que valem a pena ler é ótimo!
    Eu estava a procura de alguma sinopse sobre “O Herdeiro Mago” quando achei esse blog. Muito bom mesmo!
    Sobre O Ladrão de Raios: como em suas citações, também achei o livro interessante no todo, mas não pude deixar de notar algumas “estranhisses”, o que me levou a não gostar muito do livro e consequentemente, me desanimar de ler O Mar de Monstros: a entrada do Cassino Lótus na história do nada, ou até mesmo o embate com o deus Ares (onde convenhamos, ele não teria chance); também algumas tentativas de ironicidade que não sei se foi a tradução ao pé da letra ou idéias do próprio autor, me fizeram não gostar tanto assim da leitura.
    E mais uma vez parabéns pelas resenhas. Ajuda muito a todos que querem comprar algum livro e estão em dúvidas sobre o conteúdo do mesmo, além de conter boas indicações de livros desconhecidos por muitos. Continue esse bom trabalho!

  • [...] ou menos o que ocorreu com Ladrão de Raios, o que me chamou a atenção para esse livro logo de cara dentre milhares de outros livros em uma [...]

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