A Mão Esquerda de Deus (Paul Hoffman)

A Mão Esquerda de Deus

A Mão Esquerda de Deus

“Preste atenção. O Santuário dos Redentores no Penhasco de Shotover deve seu nome a uma grande mentira, pois há pouca redenção naquele lugar e ele tampouco serve de refúgio divino”.

Assim começa “A Mão Esquerda de Deus”, o primeiro volume de uma trilogia (sim… é mais uma trilogia!) escrito pelo inglês Paul Hoffman, publicado pela Editora Suma de Letras e lançado no Brasil em 12/04/2010. Ele conta a história de Thomas Cale, um garoto entre 14 e 15 anos que vive desde os 7 anos de idade como acólito (uma espécie de aprendiz de assassino religioso) no Santuário dos Redentores, assim como outros cerca de 10.000 garotos em igual situação.

Criado numa sociedade onde prevalece o castigo e o medo, e educado para obedecer e temer a doutrina do Redentor Enforcado e seus 28 pecados mortais, Cale tem seu destino modificado ao se tornar testemunha de um terrível acontecimento. Obrigado a empregar seus dotes para safar-se ileso deste episódio, nosso protagonista se vê obrigado a iniciar uma mirabolante saga, juntamente com seus companheiros Kleist, Henri Embromador e a jovem donzela Riba, para salvar suas vidas; sabendo que seu mentor, Redentor Bosco – o Lorde da Guerra, de tudo fará para encontrá-lo e fazê-lo cumprir seu destino.

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Demon's Lexicon (Sarah Rees Brennan)

Demon's LexiconEm primeiro lugar devo dizer que não fosse a insistência incessante (sim, bem redundante para dar para entender a gravidade) de duas grandes amigas sobre a urgência de ler este livro, confesso que ele ficaria um bom tempo perdido na minha enorme pilha de coisas para ler.

Porém, Alis e Ly foram tão persistentes em sua tarefa de me obrigar a ler que, no fim, deu certo. Demon’s Lexicon passou para o topo da lista e submergi no mundo de Nick e Alan Ryves.

O livro conta a história de dois irmãos, Nick e Alan, que vivem aqui, hoje, no nosso mundo, com a diferença de que para eles o sobrenatural não é um mito, é tão real quanto qualquer coisa. Afinal, têm de lutar constantemente contra magos malignos e demônios. Parece, falando assim, uma espécie de cópia do seriado Supernatural. Confesso que até as demonstrações de amor entre os irmãos poderia ser semelhante (o famoso bromance), porém, as semelhanças não passam de superficiais. Primeiro porque Nick e Alan nada têm a ver com Sam e Dean. Nada mesmo. E enquanto você vai lendo o livro, pára menos e menos de pensar no seriado. Na verdade, o único momento em que o paralelo parece razoável de ser feito é na sinopse, pois desde primeiro parágrafo os irmãos Winchester são varridos da mente do leitor:

Tradução livre:

“O cano sob a pia estava vazando novamente. Isso não seria tão ruim assim se Nick não guardasse sua espada favorita embaixo da pia.”

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Retalhos (Craig Thompson)

retalhosAté pouco tempo atrás jamais havia ouvido falar desse quadrinho. E se ouvi, não prestei atenção. Contudo, após duas indicações vêementes de conhecidos, achei que era mais do que hora de ampliar meus campos de conhecimento e investir nessa HQ.

A história de Retalhos é autobiográfica e em suas 582 páginas é contada brevemente a história do autor, o cartunista Craig Thompson. Craig nasceu em uma família de cidade pequena, pai e mãe religiosos e pobres, seu mundo parece ter poucas perspectivas ou poucas esperanças. Ele não é um jovem que perde muito tempo pensando no futuro e não chega, necessariamente, a levar seu talento para desenho a sério.

Toda a história e a forma como é abordada é muito bela, conta em algumas partes com tons poéticos. Os temas variam da infância à juventude, abordando desde o relacionamento entre irmãos, pais, famílias no geral, primeiro amor e conta até com uma pincelada de abuso sexual. A HQ ganhou diversos prêmios da área, como cita a contracapa: três prêmios Harvey (melhor artista, melhor graphic novel original e melhor cartunista), dois prêmios Eisner (melhor graphic novel e melhor escritor/artista) e da Associação Francesa de Críticos e Jornalistas de Quadrinho.

O resumo oficial da obra é:

Thompson retrata sua própria história, da infância até o início da vida adulta, numa cidadezinha de Wisconsin, no centro dos Estados Unidos, que parece estar sempre coberta pela neve. Seu crescimento é marcado pelo temor a Deus – transmitido por sua família, seu colégio, seu pastor e as trágicas passagens bíblicas que lê -, que se interpõe contra seus desejos, como o de se expressar pelo desenho.

Com a adolescência, seus desejos se expandem e acabam tomando forma em Raina – uma garota vivaz, de alma poética e impulsiva, quase o oposto total de Thompson – com quem começa a relação que mudará a visão que ele tem da família, de Deus, do futuro e, enfim, do próprio amor.

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Calafrio (Maggie Stiefvater)

CalafrioSempre tive medo de lobisomens. Não esses que vemos por aí hoje em dia com a febre Crepúsculo. Sempre tive medo do lobisomem clássico. E assim como tudo a que temo, criei uma fascinação em torno do assunto.

Desse fascínio veio a curiosidade e a posterior descoberta de que no meio literário, esse assunto não é tão vasto e diverso quanto o dos vampiros. Além do mais, por algum motivo, os lobisomens são sempre coadjuvantes em meio a outras criaturas míticas. Raramente são personagens principais ou mesmo únicos. Por isso me interessei por Calafrio, que prometia lobisomens em primeiro lugar.

Buscando mais informações pela internet, vi diversas resenhas positivas feias por fãs de Crepúsculo. E mais, sempre comparando o livro à saga vampiresca. O que esperar disso? Foi o peso da minha curiosidade contraposto ao medo do que me aguardava. Fizeram uma versão lobisomem de Crepúsculo? Estragaram mais um mito legal?

Só conseguiria descobrir isso comprando o livro. O que não foi difícil, já que ele se encontrava em uma boa promoção. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a comparação com a versão vampírica não era apenas coisa de internet, está escrito na capa do livro:

“Se você é fã de Crepúsculo, vai amar Calafrio” – The Observer

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Feios (Scott Westerfeld)

Feios

Mais ou menos o que ocorreu com Ladrão de Raios, o que me chamou a atenção para esse livro logo de cara dentre milhares de outros livros em uma larga estante na livraria, foi seu título. Simples, curto, direto e instigante.

O subtítulo também não fica para trás: “Em um mundo de extrema perfeição, o normal é feio.”. Convenhamos, nome e subtítulo (além da capa) não deixam claro sobre exatamente o que é o livro. Poderia muito bem ser um livro de filosofia, não? Algo sobre uma reflexão do mundo contemporâneo e como isso afeta a nossa vida ou a nossa noção de beleza e como lidamos com os outros humanos à nossa volta. Ou poderia ser sobre moda. Ou sobre adolescência. Poderia ser sobre muitas coisas. Porém, na verdade, Feios é um livro sobre nada mais nada menos do que o futuro. Meus caros, temos aqui um exemplar de ficção científica.

Tally Youngblood é uma feia. Não, isso não significa que ela seja alguma aberração da natureza. Não. Ela simplesmente ainda não completou 16 anos. Em Vila Feia, os adolescentes ficam presos em alojamentos até o aniversário de 16 anos, quando recebem um grande presente do governo: uma operação plástica como nunca vista antes na história da humanidade. Suas feições são corrigidas à perfeição; a pele é trocada por outra, sem imperfeições ou – nem pense nisso – espinhas; seus ossos são substituídos por uma liga artificial, mais leve e resistente; os olhos se tornam grandes; e os lábios, cheios e volumosos. Em suma, aos 16 anos todos ficam perfeitos.

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Melancia (Marian Keyes)

Melancia
Antes de tudo, tenho que dar um muito obrigada à iniciativa da Record de lançar o catálogo BestBolso, sem ela eu jamais teria me interessado por comprar esse livro. Primeiro porque não sou fã do (recém descoberto por mim) Chick-Lit e principalmente porque minhas mãos bibliófilas não resistem a um livro bestseller por R$12.

Agora, dando início à resenha em si, incialmente devo dizer que Melancia faz parte de uma categoria de livros que considero “Literatura para não pensar”. Não é exatamente uma ofensa à esse tipo de livro, antes que você me entenda mal, mas o fato é que Melancia está entre os tipos de livro que não exigem montes de reflexão assimilação, surpresas de arrepiar, ações emocionantes ou sequências de reflexões extenuantes. Melancia, ou o estilo Chick-Lit, é um típico caso de livro que fala sobre coisas praticamente fúteis e têm finais previsíveis ou sem muitas surpresas. Claro, isso parece algo terrível, mas, pare aí mesmo. Quem disse que literatura tem sempre de ser algo profundo e uma experiência que te submerge nela?

Isto posto, acho que fica claro que sim, Melancia é um livro principalmente para mulheres que lida de assuntos principalmente para mulheres, é em primeira pessoa narrado por uma mulher e, aha, tudo acontece com ela e sobre ela.

Agora, se o livro é assim, tão “comum”, por que ele merece ser indicado, você poderia me perguntar. Bem, a resposta é simples. Apesar de todos os clichês do mundo, duas coisas salvam esse livro: seu humor inegável e o fato de o final, mesmo sendo o óbvio, não chegar lá de forma completamente óbvia.

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Twilight vol. 1 - Graphic Novel (Stephenie Meyer e Young Kim)

twilight graphic novel
Esbarrei casualmente com essa graphic novel em uma livraria e, apesar de tê-la encarado inicialmente com desdenho (como lido com quase tudo que envolve a saga Twilight) ao dar uma passada por suas páginas – já que minha atração por HQ’s e minha curiosidade são sempre grandes – acabei gostando bastante do traço e da forma como a artista pareceu interpretar o universo de Meyer (autora dos livros). O traço de cara puxa para o estilo oriental, porém, nada muito mangá, já que a artista é coreana e lá eles desenham bem melhor. Agora, confesso que o que me chamou mesmo a atenção foi o quote – traduzido livremente por mim – de Meyer presente na contra-capa:

Os personagens e cenários estão muito próximos do que eu estava imaginando enquanto escrevia a série.

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Hotel Novo Mundo (Ivana Arruda Leite)

hotel novo mundo
Não sou o que se poderia chamar de fã de literatura brasileira. Sendo então um livro que fala sobre cotidiano e/ou experiências humanas, são grandes as chances de que eu saia correndo antes que chegue a mais de dois metros de distância da obra. A não ser que seja Machado de Assis, mas ele é um caso à parte.

No entanto, uma amiga cujo gosto confio indicou-me veementemente Hotel Novo Mundo dizendo ainda que Ivana Arruda Leite era uma de suas autoras favoritas. Claro, ainda assim, mesmo tendo lido a contra-capa, que ao invés do resumo tinha um trecho do livro (se fosse eu, não faria uma coisa dessas por bons motivos) e tendo lido as abas que falavam mais sobre a autora do que sobre o livro, acabei mesmo sendo convencida a lê-lo por seu peculiar começo:

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PS, I love you (Cecelia Ahern)

PS Eu te amo
Provavelmente você já ouviu falar desse livro. Talvez não pelo livro em sim, mas pelo filme que passou nos cinemas há algum tempo atrás. Na época do lançamento, P.S. Eu te amo foi considerado uma nova forma de apresentar filmes românticos. Hesito em classificá-lo como comédia romântica, pois, apesar do forte teor humorístico, a temática principal gira em torno de uma viúva tentando se recuperar da morte do esposo. Convenhamos, não é a coisa mais upadeedoopa do mundo.

Porém, esquecendo o que o filme possa ser (já que esse não é um blog de cinema), vamos ao que interessa:

Primeiramente, gostaria de fazer uma breve divagação e perguntar por que cargas d’água nenhuma editora se interessou até hoje em trazer o livro para o Brasil. Quer dizer, geralmente nossas editoras não são tão tolas ao ponto de perder a oportunidade de lucrar com a onda de sucesso que adaptações cinematográfica trazem. A não ser que você more em marte ou em algum lugar sem muitos ônibus ou cartazes de propaganda em geral, com certeza já deve ter lido algum anúncio mais ou menos assim: O livro que deu origem ao cultuado/maravilhos/famoso/etc. filme (…). Então, fico me perguntando, se fazem esse tipo de coisa com filmes absurdamente ruins, por que PS, I love you continua sem tradução? Ah, péra, acho que já sei porque. Apesar de ser romance tipicamente de mulherzinha, não há menções a vampiros gays. Parece que hoje em dia nada que fuja desse padrão é interesse das editoras.

De qualquer forma, saindo do mérito da questão e indo para o que realmente interessa, a primeira coisa que tenho a dizer sobre PS, I love you é que ele é grande. Não que eu esteja necessariamente reclamando, já que o livro não chegou a me deixar entediada, contudo, tenho de confessar que algumas boas partes poderiam ter sido cortadas.

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O Herdeiro Guerreiro (Cinda Williams Chima)

21469816_4Há uma espada na capa desse livro. Uma espada.

Esse foi o primeiro pensamento que me ocorreu ao dar de cara com O Herdeiro Guerreiro pela primeira vez. Amante de livros sobre guerreiros e fantasia como sou, o livro saltou facilmente aos meus olhos. Contudo, demorou um tempo até que finalmente conseguisse lê-lo.

Sendo sincera, devo dizer que tinha um pouco de medo. A premissa do livro parecia boa, porém, ao ler o começo, nada bateu com nada. O prólogo fala sobre um garoto mago de 1800-e-bolinha e enquanto o lia, pensava comigo: tá, até gosto de história sobre magos e coisas antigas mas… não era sobre um guerreiro?! Além do mais, havia uma tal história sobre As Rosas, sobre fugir delas e sobre um jogo. E eu fiquei, tá ok, isso não tem nada a ver com a sinopse, não era sobre meninos contemporâneos achando uma espada e guerreiro? O que tem a ver isso tudo?

Inicialmente deixei o livro de lado porque ele quebrou com minhas expectativas, porém, como boa amante de guerreiros e fantasia, não demorou tanto e cedi ao livro. Precisava tê-lo e lê-lo por completo antes de opinar de verdade. Poxa, tem uma espada na capa!

A primeira e mais sucinta coisa que posso dizer é que não me arrependo da compra. Ele não é tão confuso quanto o prólogo faz parecer, nem tão bobo quanto a cena solta que colocaram na contra-capa:

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Rocco x Intrínseca

ameninaqueroubavaHá anos e anos a Rocco tem o pódio da editora dos meus sonhos, não havia chance para nenhuma outra, afinal, era ela que lançava/lança as melhores coleções. Como exemplos rápidos posso citar Harry Potter, Crônicas Vampirescas, Ciclo da Herança, Crônicas das Trevas Antigas, Darren Shan, Crônicas do Mundo Emerso e por aí vai.

Contudo, a liderança absoluta da Rocco no meu coração tem sido ameaçada, e por uma editora bem mais nova. Fundada ao final de 2003, no começo parecia investir mais no ramo de auto-ajuda, porém, hoje tem aberto mais e mais espaço para os romances. Bons romances (ou quase), diga-se de passagem. Essa editora, quase uma criança, não é outra se não a Intrínseca.

O primeiro contato com ela passou até despercebido, pois ainda era muito recente e seu nome não tinha tanta força (para mim, pelo menos). Tudo começou com A menina que roubava livros e posteriormente o Eu sou o mensageiro, ambos do respeitável Sr. Markus Zusak. No entanto, não foi aí que notei o potencial dessa editora, por mais que tenham sido dois livros fantásticos, ainda são apenas dois.
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Ladrão de Raios (Rick Riordan)

ladrao-de-raios1Como dito anteriormente, a grande diferença entre se interessar ou não por um livro pode ser o quanto de apelo há em seu título. No caso desse em específico, chamado Ladrão de Raios, para mim o apelo foi inevitável. Quer dizer, bastou bater o olho nesse nome, em meio a tantas outras lombadas, para que meu interesse viesse arrebatador.

Seguindo o ritual, passei do título à capa, que só trouxe mais interesse em saber o que aquele menino fazia no meio da água segurando uma espada e olhando para Nova York enquanto um raio cortava os céus. Venhamos e convenhamos, a arte da capa é bonita.

Porém, como já dizia minha mãe, sua avó e a tia da sua prima, beleza não põe mesa. Era chegada a hora da verdadeira avaliação preliminar, a sinopse:

E se os deuses do Olimpo estivessem vivos em pleno século XXI? E se eles ainda se apaixonassem por mortais e tivessem filhos que pudessem se tornar heróis? Segundo a lenda da Antiguidade, a maior parte deles, marcados pelo destino, dificilmente passa da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.

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Conquistando um leitor

Eu julgo um livro pela capa.

Faço isso casualmente, como a coisa mais normal do mundo. Porque é normal. Entretanto, para mim o destaque não é bem a capa, é o título. Não digo que título e capa vão interferir no fato de gostar ou não do que li. Contudo, esses dois elementos podem ser a diferença fatal entre pegar o livro para olhar ou não.

Já tive casos de estar passando o olho distraída por diversas lombadas e pimba! dei de cara com um nome espetacular. Um nome que diz tanto em tão poucos caracteres que tive de pegar. Comparo o nome de um livro com a beleza de uma pessoa.

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Apresentações

Uma pesquisa recente revelou que é necessário um mínimo de dez anos de estudo para se tornar especialista em determinado assunto.

A idéia de ler sempre me atraiu, mesmo antes de saber de fato essa arte. Conta minha mãe que com oito meses engatinhei sozinha até a estante e comecei a folhear livros e revistas. Não rasgá-los, folheá-los. Uma das lembranças mais fortes que tenho dos meus longínquos três anos envolve assistir a velha procurando algo nas Listas Amarelas e pensar comigo mesma: Um dia vou entender tudo o que está escrito aí. Ok, Listas Amarelas não é a leitura mais enriquecedora – a não ser que você queira saber onde há lojas -, mas o que importa é que eu queria entender, queria ler.

Frequento bibliotecas assiduamente desde um ano de idade (por intermédio da mãe, depois por conta própria), no entanto, minha verdadeira compulsão pela leitura começou de verdade aos doze anos. Como muitas outras crianças da minha geração, essa compulsão surgiu após entrar em contato com um certo menino bruxo, dono de uma peculiar cicatriz em forma de raio, que tinha mais ou menos minha idade.

Complicado dizer que descobri o amor pela leitura com ele, no entanto, foi aí que ganhei um vício. Pode-se dizer que tudo que precisava era de um empurrão, porque esse mesmo livro que me arrebatou de vez ao mundo literário, perdeu o posto de favorito rapidamente. Pois eu achei um outro livro ainda melhor. E outro. E outro. E mais outro.

Há dez anos não paro de achar novos favoritos, e no fim, nenhum o é de verdade. Há dez anos minha resposta à típica pergunta “Quem você levaria para uma ilha deserta” é: uma biblioteca. Há dez anos me sinto quase deprimida se passo muito tempo sem livros. Há dez anos que meu dinheiro é quase todo gasto na livraria. É essa experiência contínua e incessante, que hipoteticamente me tornaria especialista no assunto, que fez nascer o LEI. Afinal, agora, além de um vasto conhecimento, ganhei uma necessidade urgente de extravasar o que sei. Venho aqui dividir minhas experiências, e, quem sabe, elas não alcancem alguém que se interesse pelo assunto?

Leio e indico é um blog sobre literatura, se você gosta de ler e sempre quis ouvir a opinião de alguém antes de investir em um novo livro, saiba que acaba de encontrar o lugar certo. Indicações para possíveis leituras/resenhas são sempre bem vindas, não se acanhe em dá-las/pedi-las.